Decreto Nº 9.765/2019 e a Política Nacional de Alfabetização.

O Decreto Nº 9.765/2019 Institui a Política Nacional de Alfabetização.


De acordo com o Art. 1º do  Decreto Nº 9.765/19 Fica instituída a Política Nacional de Alfabetização, por meio da qual a União, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, implementará programas e ações voltados à promoção da alfabetização baseada em evidências científicas, com a finalidade de melhorar a qualidade da alfabetização no território nacional e de combater o analfabetismo absoluto e o analfabetismo funcional, no âmbito das diferentes etapas e modalidades da educação básica e da educação não formal.

Definições estabelecidas no Art. 2º do Decreto Nº 9765/2019


  • I - alfabetização -  ensino das habilidades de leitura e de escrita em um sistema alfabético, a fim de que o alfabetizando se torne capaz de ler e escrever palavras e textos com autonomia e compreensão;
  • II - analfabetismo absoluto -  condição daquele que não sabe ler nem escrever;
  • III - analfabetismo funcional - condição daquele que possui habilidades limitadas de leitura e de compreensão de texto;
  • IV - consciência fonêmica - conhecimento consciente das menores unidades fonológicas da fala e a habilidade de manipulá-las intencionalmente;
  • V - instrução fônica sistemática - ensino explícito e organizado das relações entre os grafemas da linguagem escrita e os fonemas da linguagem falada;
  • VI - fluência em leitura oral - capacidade de ler com precisão, velocidade e prosódia;
  • VII - literacia - conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes relacionadas com a leitura e a escrita e sua prática produtiva;
  • VIII - literacia familiar - conjunto de práticas e experiências relacionadas com a linguagem, a leitura e a escrita, as quais a criança vivencia com seus pais ou cuidadores;
  • IX - literacia emergente - conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes relacionadas com a leitura e a escrita, desenvolvidos antes da alfabetização;
  • X - numeracia - conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes relacionadas com a matemática; e
  • XI - educação não formal - designação dos processos de ensino e aprendizagem que ocorrem fora dos sistemas regulares de ensino. 

São princípios da Política Nacional de Alfabetização (Art. 3º do Decreto Nº 9.765/2019 :


  • I - integração e cooperação entre os entes federativos, respeitado o disposto no § 1º do art. 211 da Constitução;
  • II - adesão voluntária dos entes federativos, por meio das redes públicas de ensino, a programas e ações do Ministério da Educação;
  • III - fundamentação de programas e ações em evidências provenientes das ciências cognitivas;
  • IV - ênfase no ensino de seis componentes essenciais para a alfabetização: a) consciência fonêmica; b) instrução fônica sistemática; c) fluência em leitura oral; d) desenvolvimento de vocabulário; e) compreensão de textos; e f) produção de escrita;
  • V - adoção de referenciais de políticas públicas exitosas, nacionais e estrangeiras, baseadas em evidências científicas;
  • VI - integração entre as práticas pedagógicas de linguagem, literacia e numeracia;
  • VII - reconhecimento de que o desenvolvimento integral da criança pressupõe a inter-relação e a interdependência dos domínios físico, socioemocional, cognitivo, da linguagem, da literacia e da numeracia;
  • VIII - aprendizagem da leitura, da escrita e da matemática básica como instrumento de superação de vulnerabilidades sociais e condição para o exercício pleno da cidadania;
  • IX - igualdade de oportunidades educacionais; e
  • X - reconhecimento da família como um dos agentes do processo de alfabetização.

São objetivos da Política Nacional de Alfabetização (Art. 4º do Decreto Nº 9.765/2019)


  • I - elevar a qualidade do ensino e da aprendizagem no âmbito da alfabetização, da literacia e da numeracia, sobretudo nos primeiros anos do ensino fundamental, por meio de abordagens cientificamente fundamentadas;
  • II - contribuir para a consecução das Metas 5 e 9 do Plano Nacional de Educação de que trata o Anexo à Lei nº 13.00art55, de 25 de junho de 2014;
  • III - assegurar o direito à alfabetização a fim de promover a cidadania e contribuir para o desenvolvimento social e econômico do País;
  • IV - impactar positivamente a aprendizagem no decorrer de toda a trajetória educacional, em suas diferentes etapas e níveis; e
  • V - promover o estudo, a divulgação e a aplicação do conhecimento científico sobre literacia, alfabetização e numeracia. 


Diretrizes da Política Nacional de Alfabetização (Art. 4º do Decreto Nº 9.765/2019)


  • I - priorização da alfabetização no primeiro ano do ensino fundamental;
  • II - incentivo a práticas de ensino para o desenvolvimento da linguagem oral e da literacia emergente na educação infantil;
  • III - integração de práticas motoras, musicalização, expressão dramática e outras formas artísticas ao desenvolvimento de habilidades fundamentais para a alfabetização;
  • IV - participação das famílias no processo de alfabetização por meio de ações de cooperação e integração entre famílias e comunidade escolar;
  • V - estímulo aos hábitos de leitura e escrita e à apreciação literária por meio de ações que os integrem à prática cotidiana das famílias, escolas, bibliotecas e de outras instituições educacionais, com vistas à formação de uma educação literária;
  • VI - respeito e suporte às particularidades da alfabetização nas diferentes modalidades especializadas de educação;
  • VII - incentivo à identificação precoce de dificuldades de aprendizagem de leitura, de escrita e de matemática, inclusive dos transtornos específicos de aprendizagem; e
  • VIII - valorização do professor da educação infantil e do professor alfabetizador. 


Decreto Nº 9.765/2019 e a Política Nacional de Alfabetização.

A Política Nacional de Alfabetização tem por público-alvo: (Art. 6º )


  • I - crianças na primeira infância;
  • II - alunos dos anos iniciais do ensino fundamental;
  • III - alunos da educação básica regular que apresentam níveis insatisfatórios de alfabetização;
  • IV - alunos da educação de jovens e adultos;
  • V - jovens e adultos sem matrícula no ensino formal; e
  • VI - alunos das modalidades especializadas de educação.


Parágrafo único.  São beneficiários prioritários da Política Nacional de Alfabetização os grupos a que se referem os incisos I e II do caput.

São agentes envolvidos na Política Nacional de Alfabetização: (Art. 7º )


  • I - professores da educação infantil;
  • II - professores alfabetizadores;
  • III - professores das diferentes modalidades especializadas de educação;
  • IV - demais professores da educação básica;
  • V - gestores escolares;
  • VI - dirigentes de redes públicas de ensino;
  • VII - instituições de ensino;
  • VIII - famílias; e
  • IX - organizações da sociedade civil. 


Implementação da Política Nacional de Alfabetização


De acordo com o Art. 8º  A Política Nacional de Alfabetização será implementada por meio de programas, ações e instrumentos que incluam:


  • I - orientações curriculares e metas claras e objetivas para a educação infantil e para os anos iniciais do ensino fundamental;
  • II - desenvolvimento de materiais didático-pedagógicos cientificamente fundamentados para a literacia emergente, a alfabetização e a numeracia, e de ações de capacitação de professores para o uso desses materiais na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental;  
  • III - recuperação e remediação para alunos que não tenham sido plenamente alfabetizados nos anos iniciais do ensino fundamental ou que apresentem dificuldades de aprendizagem de leitura, escrita e matemática básica;
  • IV - promoção de práticas de literacia familiar;
  • V - desenvolvimento de materiais didático-pedagógicos específicos para a alfabetização de jovens e adultos da educação formal e da educação não formal;
  • VI - produção e disseminação de sínteses de evidências científicas e de boas práticas de alfabetização, de literacia e de numeracia;
  • VII - estímulo para que as etapas de formação inicial e continuada de professores da educação infantil e de professores dos anos iniciais do ensino fundamental contemplem o ensino de ciências cognitivas e suas aplicações nos processos de ensino e de aprendizagem;
  • VIII - ênfase no ensino de conhecimentos linguísticos e de metodologia de ensino de língua portuguesa e matemática nos currículos de formação de professores da educação infantil e de professores dos anos iniciais do ensino fundamental;
  • IX - promoção de mecanismos de certificação de professores alfabetizadores e de livros e materiais didáticos de alfabetização e de matemática básica;
  • X - difusão de recursos educacionais, preferencialmente com licenças autorais abertas, para ensino e aprendizagem de leitura, de escrita e de matemática básica;
  • XI - incentivo à produção e à edição de livros de literatura para diferentes níveis de literacia;
  • XII - incentivo à formação de gestores educacionais para dar suporte adequado aos professores da educação infantil, aos professores do ensino fundamental e aos alunos; e
  • XIII - incentivo à elaboração e à validação de instrumentos de avaliação e diagnóstico.  


Avaliação e monitoramento da Política Nacional de Alfabetização:


Segundo o Art. 9º  do  Decreto Nº 9.765/19 constituem mecanismos de avaliação e monitoramento da Política Nacional de Alfabetização:

  • I - avaliação de eficiência, eficácia e efetividade de programas e ações implementados;
  • II - incentivo à difusão tempestiva de análises devolutivas de avaliações externas e ao seu uso nos processos de ensino e de aprendizagem;
  • III - desenvolvimento de indicadores para avaliar a eficácia escolar na alfabetização;
  • IV - desenvolvimento de indicadores de fluência em leitura oral e proficiência em escrita; e
  • V - incentivo ao desenvolvimento de pesquisas acadêmicas para avaliar programas e ações desta Política. 



DISPOSIÇÕES FINAIS

Compete ao Ministério da Educação a coordenação estratégica dos programas e das ações decorrentes desta Política Nacional de Alfabetização. (Art. 10.)

A colaboração dos entes federativos na Política Nacional de Alfabetização se dará por meio de adesão voluntária, na forma a ser definida em instrumentos específicos dos respectivos programas e ações do Ministério da Educação e de suas entidades vinculadas. (Art. 11.)

Para fins de implementação da Política Nacional de Alfabetização, a União poderá prestar assistência técnica e financeira aos entes federativos, que será definida em ato próprio de cada programa ou ação. (Art. 12.)

A assistência financeira da União, de que trata o art. 12, correrá por conta das dotações consignadas na Lei Orçamentária Anual ao Ministério da Educação e às suas entidades vinculadas, de acordo com a sua área de atuação, observados a disponibilidade e os limites estipulados na legislação orçamentária e financeira. (Art. 13.)

Fonte:
Decreto Nº 9.765/19



Por Blog Caderno de Educação - CDEDU


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