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Livro: Iracema José Martiniano de Alencar

Title: Iracema com uma noticia biographica do auctor
Autor: José Martiniano de Alencar
Language: Portuguese

Livro: Iracema José Martiniano de Alencar

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IRACEMA POR JOSÉ DE ALENCAR
COM UMA NOTICIA BIOGRAPHICA DO AUCTOR 13ª SERIE—NUMERO 49

LISBOA COMPANHIA NACIONAL EDITORA
Successora de DAVID CCRAZZI e JUSTINO GUEDES 40—Rua da Atalaya—52 FILIAES: Praça de D. Pedro, 137, 1º andar, PORTO 38, rua da Quitanda, Rio de Janeiro 1890

Á TERRA NATAL
UM FILHO AUSENTE
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INDICE
NOTICIA BIOGRAPHICA
MEU AMIGO
IRACEMA
CAPITULO I
CAPITULO II
CAPITULO III
CAPITULO IV
CAPITULO V
CAPITULO VI
CAPITULO VII
CAPITULO VIII
CAPITULO IX
CAPITULO X
CAPITULO XI
CAPITULO XII
CAPITULO XIII
CAPITULO XIV
CAPITULO XV
CAPITULO XVI
CAPITULO XVII
CAPITULO XVIII
CAPITULO XIX
CAPITULO XX
CAPITULO XXI
CAPITULO XXII
CAPITULO XXIII
CAPITULO XXIV
CAPITULO XXV
CAPITULO XXVI
CAPITULO XXVII
CAPITULO XXVIII
CAPITULO XXIX
CAPITULO XXX
CAPITULO XXXI
CAPITULO XXXII
CAPITULO XXXIII
NOTAS
CARTA AO DR. JAGUARIBE





NOTICIA BIOGRAPHICA
José Martiniano do Alencar. Este grande escriptor brazileiro, mais conhecido pelo nome de José de Alencar, nasceu no Ceará no dia 1 de janeiro de 1829, sendo filho, ao que parece, do illustre politico do mesmo nome. Dizemos "ao que parece" porque nas biographias d'este grande escriptor, que temos presentes, não se accusa a sua filiação. Pode ser lapso, pode ser outro motivo qualquer que não precisamos de apurar. O que é certo é que José Martiniano d'Alencar mostrou desde creança um grande engenho. Tinha 17 annos quando em 1840 se matriculou na faculdade de direito de S. Paulo para tomar, como tomou, o grau de bacharel, tendo ido porém em 1848 concluir os seus estudos juridicos e formar-se na eschola de Olinda.

Em S. Paulo começou a manifestar-se o seu talento litterario, publicando varios artigos n'um periodico intitulado: Ensaios, e redigido pelos estudantes da Faculdade, que appareceu em S. Paulo nos annos de 1840 a 1848.

Em 1851 concluiu Alencar o seu curso, e veiu logo para o Rio de Janeiro, entregando-se então com mais desafogo aos trabalhos litterarios. Estreiou-se na capital do imperio escrevendo no Correio Mercantil um artigo de critica acerca das Poesias de Augusto Zaluar. N'esse mesmo anno, como que para mostrar que as suas preoccupações litterarias o não desviavam de estudos mais áridos, escreveu alguns artigos sobre a reforma hypothecaria, e em seguida começou a escrever, sempre no Correio Mercantil umas revistas semanaes, intituladas: Ao correr da penna assignadas com a sigla Al.

Em julho de 1855 sahiu da redacção do Correio Mercantil, e passou a collaborar no Jornal do Commercio, onde escreveu, entre outros artigos, um a respeito de Thalberg, outro a respeito do Othello e outro ácerca do padre Mont'Alverne. Em outubro de 1855 assumiu a direcção do Diario do Rio de Janeiro, que conservou até 1858.

Em 1856 publicou o seu primeiro folheto, que devia ser seguido por tamanho numero de volumes. Esse folheto intitulava-se: Cartas sobre a confederação dos Tamoyos, e era uma collecção de folhetins que haviam sido publicados no Diario do Rio de Janeiro, e em que se fazia a critica do celebre poema de Gonçalves Dias.

Em 1857, finalmente, sahia o Guarany o famoso romance brazileiro, que produziu um verdadeiro enthusiasmo, e que deu a José d'Alencar os fóros, emquanto a nós merecidissimos, de primeiro romancista brazileiro. Alguns criticos rabujentos notavam que aquelles Indios de José de Alencar eram plus beaux que nature, que eram uns Indios ideaes, muito diversos das creaturas porcas, rebaixadas e deprimidas que representam na actual civilisação brazileira o elemento indigena. Esses criticos porém esqueciam-se de uma cousa: de que os Indios actuaes não são os Indios que viviam livremente na floresta, na plenitude da sua força e da sua independencia, e tambem de que, se os guaranys de Alencar são pelo menos Indios de excepção, Indios de excepção eram tambem de certo aquelle suave Uncas, o ultimo dos mohicanos, e o pensativo Chingachgook, que viviam em tão santa harmonia com o Longa Carabina, aquelle Nathaniel Bempo, personagem querido de Fennimore Cooper.

Mas os protestos, se os houve, desappareceram no meio do coro unisono dos applausos. O Brazil tinha finalmente uma litteratura sua, bem sua, romances que se não modelavam pelas formas velhas e gastas dos romances europeus. A America do Sul tinha emfim o seu Cooper.

Pery, Izabel, Alvaro, Ayres Gomes foram personagens que ficaram, para sempre gravados no espirito do publico brazileiro, e, para mais se consagrar a gloria do Guarany, até o grande maestro brazileiro Carlos Gomes escolheu este formoso romance para d'elle se extrahir o libretto da sua opera o Guarany, que é a sua obra prima, a obra prima da musica brazileira, e uma das notaveis operas do nosso tempo, que já hoje tem fama universal, e é representada com applauso em todos os theatros do mundo.

O que, porém, sobretudo se apreciava no Guarany, e a esse respeito não havia diversidade de opiniões, era a belleza incomparavel do estylo, a magnificencia das descripções da natureza.

Ao mesmo tempo tentava José de Alencar o theatro, e, depois de fazer representar uma comedia de valor secundario Verso e reverso, dava ao theatro a sua obra prima, tambem uma das obras primas do theatro brazileiro, O Demonio familiar. É esta comedia um magnifico estudo dos costumes brazileiros, e foi decerto um profundo golpe vibrado á escravatura, porque o seu entrecho se cifra principalmente na demonstração da influencia nefasta do moleque na familia brazileira. O Demonio familiar é esse moleque, elemento permanente de discordia e de desmoralisação.

O Guarany e o Demonio familiar bastavam para assegurar a gloria de um escriptor; mas José de Alencar foi sempre consummido por uma sede insaciavel de escrever. Trabalhava com uma rapidez tal que isso prejudicava muitas vezes o acabado das suas obras, e impedia-o de lhes fazer attingir a perfeição, a que poderiam aliás ter chegado tanto quanto isso é possivel a obras humanas.

No theatro, pois, ao Demonio familiar e ao Verso e reverso seguiram-se o Credito, e os Jesuitas, drama que foi retirado de scena, porque o publico abandonou por tal forma o theatro em que elle se representava que diz um critico de Alencar, que talvez no Rio de Janeiro não fosse visto por um cento de pessoas. Esta ausencia do publico indignou muito José de Alencar que, publicando o drama, o precedeu de um prefacio em que diz que dava o drama á luz publica, só para que se visse que, se o theatro brazileiro não existia, não era por falta de bons auctores, nem de boas peças, mas sim pelo inqualificavel retrahimento do publico. Este accesso de vaidade não era permittido a um homem de tão verdadeiro merecimento como era José de Alencar. Effectivamente não tinha razão alguma: o drama os Jesuitas era detestavel, pueril, sem caracteres bem desenhados, sem acção logica, sem cousa alguma do que constitue verdadeiramente o merito de uma obra litteraria.

Não desanimou Alencar, e deu á scena as Azas de um Anjo, drama que se modelava um pouco pela Dama das Camelias, com a excepção de que no fim Margarida Gautier casa com Armand Duval. Um critico brazileiro muito divertido, que assigna com as iniciaes J. S. uma obra verdadeiramente inepta intitulada Manual de litteratura, diz a respeito das Azas de um Anjo o seguinte:

"É uma tocante oração em favor da perdida.

"No fim, sobretudo, no casamento d'esta com Luiz, nada ha de francez. É um traço de bondade e abnegação, proprio do caracter brazileiro, que o francez não approvaria."

Esperamos ainda assim que no Brazil não sejam extremamente vulgares esses actos de abnegação e de bondade, porque a geração que resultasse d'estes actos de bondade podia ser exquisitamente qualificada.

Mas o que é curioso é que, apesar d'esta peça ser a apotheose do caracter brazileiro, a auctoridade prohibiu que se representasse, e J.S. acha muito justa a prohibição. Já se vê que não quer que no theatro se ponham em relevo para ensinamento do publico a bondade e a abnegação tão proprias do caracter brazileiro.

José de Alencar acudiu em defeza da sua peça na imprensa, e outros escriptores o apoiaram. Effectivamente a pudibunda censura brazileira mostrou-se muito mais transigente com peças de um valor muito inferior ao das Azas de um Anjo.

A ultima peça de José de Alencar foi a Mai, representada em 1860.

N'esse mesmo anno era elle nomeado consultor do ministerio da justiça, e recebia a carta de conselho.

José de Alencar, ao passo que ia ganhando um brilhante nome litterario, não abandonava a politica nem descurava as cousas praticas da vida. Fôra, havia muito, nomeado professor de direito mercantil no Instituto Commercial do Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo entrava como deputado na camara, pertencendo, porém, ao grupo conservador, em vez de se enfileirar, como o outro José Martiniano de Alencar, nas phalanges do partido liberal. Na sua carreira de empregado publico foi tambem, além de consultor do ministerio da justiça, director de secção.

A acção da politica no litterato sente-se na Guerra dos Mascates, romance em dois volumes, que elle publicou a bastante distancia de tempo um do outro, cujo enredo se trava em 1710 no tempo das desavenças dos moradores de Olinda com os do Recife, mas que tem apenas por intento fazer retratos contemporaneos com os nomes do seculo XVIII. Esta intenção era por tal forma transparente que no parlamento lh'o lançaram em rosto, porque effectivamente Alencar não se contentava com o desenho moral dos personagens, fazia o retrato physico tanto ao vivo que ninguem podia deixar de reconhecer o retratado. Assim o governador de Pernambuco D. Sebastião de Sousa Caldas é evidentemente o imperador D. Pedro II, o secretario Barbosa Lima é o visconde do Rio Branco, outro personagem é o marquez de S. Vicente, outro o barão de Inhomerim, etc., etc.

O retrato do imperador não está muito lisongeado, e não devia agradar ao personagem escolhido para modêlo, que se podia até considerar como injuriado positivamente. Comtudo, isso não obstou a que o imperador, em 1868, quando se formou o ministerio conservador, acceitasse a entrada de José Martiniano de Alencar para a pasta da justiça. Esteve porém pouco tempo no ministerio. Uma dissidencia no seio do partido conservador fêl-o sahir do governo, levando-o a ir sentar-se na camara ao lado dos dissidentes.

Continuando, porém, a apreciar o litterato, o romancista, citemos ainda dois dos seus melhores romances: o Gaúcho e Iracema. O caracter do gaúcho, que adora a sua egua Morena, que a entende, que lhe fala e que a escuta, está traçado com uma rara perfeição. Iracema é sobretudo um romancinho adoravelmente escripto. Nunca o estylo de Alencar attingiu tão delicada suavidade. Exhala-se de cada periodo como que o perfume das flores com que se elabora o mel das suas palavras. O sr. Pinheiro Chagas teve occasião de prestar a este livro a merecida homenagem. Fez porém algumas observações relativas á mania que teem alguns escriptores brazileiros, e um d'elles era Alencar, de pretenderem modificar as formas grammaticaes da lingua. Alencar entendeu dever responder na segunda edição do seu romance á critica do escriptor portuguez. Essa replica parecia-se um pouco com o prefacio dos Jesuitas. Manifestava uma grande vaidade realmente inadmissivel em escriptor de tão elevado merito, e mostrava um desprêso completo pelas regras mais elementares da philologia.

As Minas de prata passam por ser um dos seus menos bons romances; encerra comtudo algumas scenas primorosas. Queixam-se os paulistas de que as paizagens da sua provincia descriptas no Til, são perfeitamente phantasistas; Ubirajara, A pata da Gazella, O tronco do ipê, se não augmentaram a reputação do grande romancista não a prejudicaram tambem. O Sertanejo, muito criticado por alguns, parece-nos comtudo um dos seus bons romances. As paizagens que elle descreve são as paizagens da sua provincia natal, que elle conhece perfeitamente, e o typo do vaqueiro que ama em silencio a filha do seu patrão e que procura, com uma raiva intima, afastar todos aquelles que ella possa amar, está traçado com vigor.

Os seus romances de côrte, se assim nós podemos exprimir, são inferiores aos seus romances do sertão. Nem firmou alguns d'elles com o seu nome, Diva e Luciola, romances moldados pela comedia Azas de um Anjo tratam da rehabilitação de peccadoras; Cinco minutos, uma das suas primeiras obras e a Viuvinha são romances ligeirissimos, graciosamente desenhados; a Senhora encerra uma situação fortemente dramatica, mas mal desenvolvida. Trata-se de um homem de vis sentimentos, que despreza uma rapariga pobre que o adorava e despreza-a por ella ser pobre. Tempos depois, acceita o casamento com uma mulher deshonrada por outro homem, porque este lhe paga por uma avultada somma a venda do seu nome. Ora essa mulher é a tal que elle desprezara e que o seu desprêso arrojara pelo caminho da prostituição. O assumpto prestava-se, como vêem, ás mais dramaticas situações.

No genero de pamphletos, e obras politicas, etc., escreveu ainda José de Alencar, que sempre se mostrou hostil ao imperador, a imagem imperial, e as Cartas de Erasmo. Publicou em volume os seus discursos parlamentares de 1809, e os de 1871. É tambem sua, uma obra intitulada Estatistica da provincia do Ceará.

José de Alencar veiu á Europa em 1870. Voltando ao Brazil, foi inesperadamente colhido pela morte no anno de 1877, quando acabava de completar 48 annos, e quando se achava portanto na força da vida. A sua morte enluctou a litteratura brazileira e aquelles mesmos que tinham combatido Senio, pseudonymo querido de José de Alencar, foram os primeiros a render homenagem ao grande vulto, logo que elle desappareceu da scena publica.

(Do Diccionario Popular).

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Livros


Veja Também
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  1. Livro O Guarany: Volume 2 José Alencar
  2. Livro O Guarani Volume 1 José de Alencar
  3. Livro Cinco Minutos Autor: José de Alencar
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