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Poema - A Leviana de Gonçalves Dias

A Leviana



Souvent femme varie,
Bien fol est qui s'y fie.
-- Francisco I




És engraçada e formosa

Como a rosa,
Como a rosa em mês d'Abril;
És como a nuvem doirada
Deslizada,
Deslizada em céus d'anil.



Tu és vária e melindrosa,

Qual formosa
Borboleta num jardim,
Que as flores todas afaga,
E divaga
Em devaneio sem fim.



És pura, como uma estrela

Doce e bela,
Que treme incerta no mar:
Mostras nos olhos tua alma
Terna e calma,
Como a luz d'almo luar. 



Tuas formas tão donosas,

Tão airosas,
Formas da terra não são;
Pareces anjo formoso,
Vaporoso,
Vindo da etérea mansão.



Assim, beijar-te receio,

Contra o seio
Eu tremo de te apertar:
Pois me parece que um beijo
É sobejo
Para o teu corpo quebrar.



Mas não digas que és só minha!

Passa asinha
A vida, como a ventura;
Que te não vejam brincando,
E folgando
Sobre a minha sepultura.



Tal os sepulcros colora

Bela aurora
De fulgores radiante;
Tal a vaga mariposa
Brinca e pousa
Dum cadáver no semblante. 



Gonçalves Dias
Primeiros Cantos
Fonte: Domínio Público




A Leviana, de Gonçalves Dias.

A Leviana, de Gonçalves Dias. Um dos poemas mais conhecidos da literatura brasileira —, o curto poema épico I-Juca-Pirama e muitos outros poemas nacionalistas e patrióticos, além de seu segundo mais conhecido poema chamado: Cancões de Exílio 






Por Blog Caderno de Educação


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