Ilusão, de Fagundes Varella.

Ilusão, de Fagundes Varella. Poeta romântico e boêmio inveterado, Fagundes Varella foi um dos maiores expoentes da poesia brasileira, em seu tempo. 

Ilusão, de Fagundes Varella.



ILUSÃO


Sinistro como um fúnebre segredo
Passa o vento do Norte murmurando
 Nos densos pinheirais;
A noite é fria e triste; solitário
Atravesso a cavalo a selva escura
 Entre sombras fatais.

À medida que avanço, os pensamentos
Borbulham-me no cérebro, ferventes,
 Como as ondas do mar,
E me arrastam consigo, alucinado,
À casa da formosa criatura
 De meu doido cismar. 

Latem os cães; as portas se franqueiam
Rangendo sobre os quícios; os criados
 Acordem pressurosos;
Subo ligeiro a longa escadaria,
Fazendo retinir minhas esporas
 Sobre os degraus lustrosos.

No seu vasto salão iluminado,
Suavemente repousando o seio
 Entre sedas e flores,
Toda de branco, engrinaldada a fronte,
Ela me espera, a linda soberana
 De meus santos amores.

Corro a seus braços trêmulo, incendido
De febre e de paixão... A noite é negra,
 Ruge o vento no mato;
Os pinheiros se inclinam, murmurando:
- Onde vai este pobre cavaleiro
 Com seu sonho insensato?.

Fagundes Varella

Leia também: Não te esqueças de mim



Por blog caderno de educação


Compartilhe Compartilhe Compartilhe Compartilhe Compartilhe .
Compartilhe em suas Redes Sociais!


Sobre:
O Blog Caderno de Educação visa compartilhar conteúdo educacional e proporcionar a troca de material didático e experiência entre profissionais da área de educação e, também, disponibilizar material educativo para estudantes, candidatos a concursos públicos, vestibular e ENEM das mais diversas áreas do conhecimento como literatura, história, gramática, geografia, biologia, matemática, física, informática, pedagogia e outras, além de notícias.

Postagens relacionadas, sugeridas e anúncios

0 comentários:

Postar um comentário

.

 

João 3 16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.