2 Poemas de Laurindo Ribeiro

Poesias Líricas. Poesia: O que são meus versos? Trata-se de um poema de Laurindo Ribeiro que integrou a chamada segunda fase do romantismo brasileiro. Confira nesta postagem os versos do romancista, com suas frases românticas, poéticas e lindas.

Leia também:
  1. Poema flor do carcere
  2. Poema eterna magoa de Augusto dos Anjos
  3. Partida do meu mestre do coração de Castro Alves

O QUE SÃO MEUS VERSOS

Laurindo Ribeiro

Se é vate quem acesa a fantasia

Tem de divina luz na chama eterna;

Se é vate quem do mundo o movimento

C’o movimento das canções governa;


Se é vate quem tem n’alma sempre abertas

Doces, límpidas fontes de ternura,

Veladas por amor, onde se miram

As faces da querida formosura;


Se é vate quem dos povos, quando fala,

As paixões vivifica, excita o pasmo,

E da glória recebe sobre a arena

As palmas, que lhe of’rece o entusiasmo;

   

Eu triste, cujo fraco pensamento

Do desgosto gelou fatal quebranto;

Que, de tanto gemer desfalecido,

Nem sequer movo os ecos com meu canto;


Eu triste, que só tenho abertas n’alma

Envenenadas fontes d’agonia,

Malditas por amor, a quem nem sombra

De amiga formosura o céu confia;


Eu triste, que, dos homens desprezado,

Só entregue a meu mal, quase em delírio,

Ator no palco estreito da desgraça,

Só espero a coroa do martírio;


Vate não sou, mortais; bem o conheço;

Meus versos, pela dor só inspirados, —

Nem são versos — menti — são ais sentidos,

Às vezes, sem querer, d’alma exalados;


São fel, que o coração verte em golfadas

Por contínuas angústias comprimido;

São pedaços das nuvens, que m’encobrem

Do horizonte da vida o sol querido;


São anéis da cadeia, qu’arrojou-me

Aos pulsos a desgraça, ímpia, sanhuda;

São gotas do veneno corrosivo,

Que em pranto pelos olhos me transuda.


Seca de fé, minha alma os lança ao mundo,

Do caminho que levam descuidada,

Qual, ludíbrio do vento, as secas folhas

Solta a esmo no ar planta mirrada.


Poesias são fontes de frases de amor que muitas vezes revelam lindas historias de amor. Amor eterno materializado em uma mensagem com versos, palavras, declaração e cenas de amor que se formam na mente do leitor apaixonado. Nesta postagem confira o poema Amor-Perfeito de Laurindo Ribeiro escritor do Romantismo no Brasil.


Poesia Amor-Perfeito

AMOR-PERFEITO

Laurindo Ribeiro
Secou-se a rosa... era rosa;
Flor tão fraca e melindrosa,
Muito não pôde durar.
Exposta a tantos calores,
Embora fossem de amores,
Cedo devia secar.

Porém tu, amor-perfeito,
Tu, nascido, tu afeito
Aos incêndios que amor tem,
Tu que abrasas, tu que inflamas,
Tu que vegetas nas chamas,
Por que secaste também?!

Ah! bem sei. De acesas fráguas
As chamas são tuas águas,
O fogo é água de amor.
Como as rosas se murcharam,
Porque as águas lhes falharam,
Sem fogo murchaste, flor.

É assim, que bem florente
Eras, quando o fogo ardente
De uns olhos que raios são,
Em breve, mas doce prazo,
Te orvalhou naquele vaso
Que, já foi meu coração.

Secaste, porque esse pranto
Que chorei, que choro há tanto,
De todo o fogo apagou.
Triste, sem fogo, sem frágua
Secaste, como sem água,
A triste rosa secou.

Que olhos foram aqueles!
Quando eu mais fiava deles
Meu presente e meu porvir,
Faziam cruéis ensaios
Para matar-me. Eram raios,
Tinham por fim destruir.

Destruíram-me: contudo
Perdôo o pesar agudo,
Perdôo a pungente dor
Que sofri nos meus tormentos,
Pelos felizes momentos
Que me deram nesta flor.

Ai! querido amor-perfeito!
Como vivi satisfeito,
Quando te vi florescer!
Ai! não houve criatura
No prazer e na ventura
Que me pudesse exceder.

Ai! seca flor, de bom grado,
Se tanto pedisse o fado,
Quisera sacrificar
Liberdade e pensamento,
Sangue, vida, movimento,
Luz, olfato, sons e ar.

Só para ver-te florente,
Como quando o fogo ardente,
De uns olhos que raios são,
Em breve, mas doce prazo,
Te orvalhou naquele vaso
Que já foi meu coração.


Segundo o Sr. Antenor Nascentes o título dessa poesia é uma adaptação. Foi publicada na Revista Brasileira, tomo VI de 1880.

Leia também:
  1. Poema não te esqueças de mim
  2. Se eu morresse amanha


Fonte:
MEC. Fundação Biblioteca Nacional. Departamento Nacional do Livro Poesias Completas. Laurindo Ribeiro  Biblioteca Digital Domínio Público.  


Fonte
BRASIL. Portal Domínio Público Biblioteca Digital Desenvolvida em Software Livre. Disponível em <http://www.dominiopublico.gov.br/> MINISTÉRIO DA CULTURA. Fundação Biblioteca Nacional
Departamento Nacional do Livro.



Por blog caderno de educação


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