Publicidade

7 Obras de Laurindo Ribeiro | Literatura Brasileira

Poesias Completas é uma obra de Laurindo Rabelo que reúne uma série de textos do autor. Nesta seleção separamos cinco poemas do autor com versos lindos e bonitos, embora mantenha-se a escrita original.

5 Poemas de Amor em Poesias Completas

BEIJO DE AMOR


 Laurindo Rabelo
Poesias Completas

Se me queres ver ainda,

Recobra da vida a flor;

Deixa remoçar-me a vida

Um beijo de teu amor.


        De minha vida a ventura

        Teus lábios guardam consigo,

        Dá-me um só beijo e verás

        Se é mentira o que eu te digo.


Como a flor, do sol a um beijo,

Se quiseres, podes ver,

A minh’alma, semimorta,

Num teu beijo reviver.


     De minha vida a ventura, etc.


Só esperá-lo me alenta,

Me conforta o fado meu;

Imagina só por isso

Quanto pode um beijo teu.


       De minha vida a ventura, etc.






O CEGO DE AMOR


 Laurindo Rabelo
Poesias Completas


Pensam que vejo, não vejo,

Não vejo, que cego estou;

De que me servem os olhos,

Se minha luz se apagou?


        Ah! não deixes que me perca

        Nesta imensa escuridão;

        Ó anjo que me cegaste,

        Vem ao menos dar-me a mão.


Ao avistar-te nos olhos

A luz divina senti,

E por perder-te de vista,

A minha vista perdi.


      Ah! não deixes...


Se eu cair, dá-me teus braços,

Dá-me pelo amor de Deus,

Que talvez recobre a vista

Caindo nos braços teus.


       Ah! não deixes...



Leia também:


À MINHA MULHER


 Laurindo Rabelo
Poesias Completas


                   Lembranças do nosso amor


Da morte o sopro gelado,

Não me apagando a existência,

No coração com veemência

Sinto seu passado apressado.

Ai quando, bem adorado,

Minha alma daqui se for,

Disfarça teu dissabor,

Resiste à força veemente,

Mas nunca risques da mente

Lembranças do nosso amor.



Nada tenho que deixar-te

De fortuna nem de glória,

Nada me aponta a memória

Que possa morto legar-te;

Se nada deve ficar-te

Mais que saudades e dor,

Bálsamo consolador

À dolorosa ferida

Hão de ser-te nesta vida

Lembranças do nosso amor.


Lembrar um bem adorado

Na dor da saudade ausente,

É mesmo sê-lo presente,

Inda que seja passado.

Ser por ti sempre lembrado,

Como em vida morto for,

Por influxo encantador

Deste mistério profundo,

Hão de ser-te nesse mundo

Lembranças do nosso amor.




Poemas de Amor em Poesias Completas

Leia também: 3 mortes cruéis na literatura clássica


AMOR-PERFEITO


 Laurindo Rabelo
Poesias Completas


Secou-se a rosa... era rosa;

Flor tão fraca e melindrosa,

Muito não pôde durar.

Exposta a tantos calores,

Embora fossem de amores,

Cedo devia secar.


Porém tu, amor-perfeito,

Tu, nascido, tu afeito

Aos incêndios que amor tem,

Tu que abrasas, tu que inflamas,

Tu que vegetas nas chamas,

Por que secaste também?!


Ah! bem sei. De acesas fráguas

As chamas são tuas águas,

O fogo é água de amor.

Como as rosas se murcharam,

Porque as águas lhes falharam,

Sem fogo murchaste, flor.


É assim, que bem florente

Eras, quando o fogo ardente

De uns olhos que raios são,

Em breve, mas doce prazo,

Te orvalhou naquele vaso

Que, já foi meu coração.


Secaste, porque esse pranto

Que chorei, que choro há tanto,

De todo o fogo apagou.

Triste, sem fogo, sem frágua

Secaste, como sem água,

A triste rosa secou.


Que olhos foram aqueles!

Quando eu mais fiava deles

Meu presente e meu porvir,

Faziam cruéis ensaios

Para matar-me. Eram raios,

Tinham por fim destruir.


Destruíram-me: contudo

Perdôo o pesar agudo,

Perdôo a pungente dor

Que sofri nos meus tormentos,

Pelos felizes momentos

Que me deram nesta flor.


Ai! querido amor-perfeito!

Como vivi satisfeito,

Quando te vi florescer!

Ai! não houve criatura

No prazer e na ventura

Que me pudesse exceder.


Ai! seca flor, de bom grado,

Se tanto pedisse o fado,

Quisera sacrificar

Liberdade e pensamento,

Sangue, vida, movimento,

Luz, olfato, sons e ar.


Só para ver-te florente,

Como quando o fogo ardente,

De uns olhos que raios são,

Em breve, mas doce prazo,

Te orvalhou naquele vaso

Que já foi meu coração.


Leia também: 
5 poesias de Castro Alves



AMOR E LÁGRIMAS


 Laurindo Rabelo
Poesias Completas


Se fosse possível na minha alma

Amanhecer um dia da ventura,

Corado por um beijo de donzela

        Ao despontar d’aurora...


Se, Anjo de salvação mandado ao mísero,

Sorrindo, pelo céu jurasse a bela

Fazer-me cada vez por novos beijos

        Mais rubra a cor do dia...


Se fiel companheira em toda parte

Quisesse me seguir, presa comigo,

Como um raio celeste preso a um astro

        A iluminar-lhe o curso...


Se a visse, desdenhosa a mil tesouros,

Só por ter-me, deixá-los e contente

A gabar-me o sabor do pão grosseiro

        Que me alimenta a vida...


Não a crera; e talvez que até julgasse

Tantas provas de amor atroz perfídia,

Se amor me não brilhasse nos seus olhos

       No centro de uma lágrima.


Amor é fogo; o coração que ama

Todo nas suas chamas se evapora,

No rosto se condensa, e chega aos olhos

       Em água convertido.


Que é um riso? — Um prazer. Prisão estreita

De duas almas? — Simpatia apenas:

E os abraços e beijos? — Muitas vezes

         Sustento de lascívia.


Tudo isso diz amor; mas quando? — Quando,

Filho de um doce afeto que se apura

Nos cadinhos da dor, é batizado,

        Num batismo de prantos.


É belo ver-se uns olhos cintilantes,

Acesos em vulcões de fogo ignoto,

A dardejar faíscas invisíveis

      Que os corações abrasam:


É belo ver-se um rosto nacarado

No carmim do prazer: é belo ver-se

Partir fino coral de rubros lábios

     Um sim d’alma saído:


Mas em rostos assim amor não fala;

E, se fala, as mais vezes diz mentiras;

E este — sim — que tomamos por verdade

       É escárnio do crente.


Quereis vê-lo sincero? Observai-o

N’açucena de um rosto desmaiado,

Entre os lírios de uns lábios que roxeiam

      Suspiros de agonia:


Nuns olhos, cuja luz crepusculante,

Entre a neve das lágrimas, pareça

Revérbero da alâmpada mortiça

        Do templo da saudade.


Aí podeis lhe crer o que disser-vos,

Podeis segui-lo sem temer um crime;

Que amor, se o pranto lhe borrifa as asas,

Seu vôo ao céu dirige. 



Trata-se de uma seleção ideal para professores incluírem em seu plano de aula e planejamento de ensino, para leitores compulsivos e estudantes em geral.

Veja também
  1. 7 sonetos de Augusto dos Anjos

O QUE SÃO MEUS VERSOS

Laurindo Ribeiro

Se é vate quem acesa a fantasia

Tem de divina luz na chama eterna;

Se é vate quem do mundo o movimento

C’o movimento das canções governa;


Se é vate quem tem n’alma sempre abertas

Doces, límpidas fontes de ternura,

Veladas por amor, onde se miram

As faces da querida formosura;


Se é vate quem dos povos, quando fala,

As paixões vivifica, excita o pasmo,

E da glória recebe sobre a arena

As palmas, que lhe of’rece o entusiasmo;

   

Eu triste, cujo fraco pensamento

Do desgosto gelou fatal quebranto;

Que, de tanto gemer desfalecido,

Nem sequer movo os ecos com meu canto;


Eu triste, que só tenho abertas n’alma

Envenenadas fontes d’agonia,

Malditas por amor, a quem nem sombra

De amiga formosura o céu confia;


Eu triste, que, dos homens desprezado,

Só entregue a meu mal, quase em delírio,

Ator no palco estreito da desgraça,

Só espero a coroa do martírio;


Vate não sou, mortais; bem o conheço;

Meus versos, pela dor só inspirados, —

Nem são versos — menti — são ais sentidos,

Às vezes, sem querer, d’alma exalados;


São fel, que o coração verte em golfadas

Por contínuas angústias comprimido;

São pedaços das nuvens, que m’encobrem

Do horizonte da vida o sol querido;


São anéis da cadeia, qu’arrojou-me

Aos pulsos a desgraça, ímpia, sanhuda;

São gotas do veneno corrosivo,

Que em pranto pelos olhos me transuda.


Seca de fé, minha alma os lança ao mundo,

Do caminho que levam descuidada,

Qual, ludíbrio do vento, as secas folhas

Solta a esmo no ar planta mirrada.


Poesias são fontes de frases de amor que muitas vezes revelam lindas historias de amor. Amor eterno materializado em uma mensagem com versos, palavras, declaração e cenas de amor que se formam na mente do leitor apaixonado. Nesta postagem confira o poema Amor-Perfeito de Laurindo Ribeiro escritor do Romantismo no Brasil.


Poesia Amor-Perfeito poesia aula de leitura

AMOR-PERFEITO

Laurindo Ribeiro
Secou-se a rosa... era rosa;
Flor tão fraca e melindrosa,
Muito não pôde durar.
Exposta a tantos calores,
Embora fossem de amores,
Cedo devia secar.

Porém tu, amor-perfeito,
Tu, nascido, tu afeito
Aos incêndios que amor tem,
Tu que abrasas, tu que inflamas,
Tu que vegetas nas chamas,
Por que secaste também?!

Ah! bem sei. De acesas fráguas
As chamas são tuas águas,
O fogo é água de amor.
Como as rosas se murcharam,
Porque as águas lhes falharam,
Sem fogo murchaste, flor.

É assim, que bem florente
Eras, quando o fogo ardente
De uns olhos que raios são,
Em breve, mas doce prazo,
Te orvalhou naquele vaso
Que, já foi meu coração.

Secaste, porque esse pranto
Que chorei, que choro há tanto,
De todo o fogo apagou.
Triste, sem fogo, sem frágua
Secaste, como sem água,
A triste rosa secou.

Que olhos foram aqueles!
Quando eu mais fiava deles
Meu presente e meu porvir,
Faziam cruéis ensaios
Para matar-me. Eram raios,
Tinham por fim destruir.

Destruíram-me: contudo
Perdôo o pesar agudo,
Perdôo a pungente dor
Que sofri nos meus tormentos,
Pelos felizes momentos
Que me deram nesta flor.

Ai! querido amor-perfeito!
Como vivi satisfeito,
Quando te vi florescer!
Ai! não houve criatura
No prazer e na ventura
Que me pudesse exceder.

Ai! seca flor, de bom grado,
Se tanto pedisse o fado,
Quisera sacrificar
Liberdade e pensamento,
Sangue, vida, movimento,
Luz, olfato, sons e ar.

Só para ver-te florente,
Como quando o fogo ardente,
De uns olhos que raios são,
Em breve, mas doce prazo,
Te orvalhou naquele vaso
Que já foi meu coração.


Segundo o Sr. Antenor Nascentes o título dessa poesia é uma adaptação. Foi publicada na Revista Brasileira, tomo VI de 1880.

Leia também:
  1. Se eu morresse amanha
Poesias e poemas para sala de aula: Português, Geografia, Sociologia, Artes, História e outras. Sobre diversos temas como saudade, carnaval, amor, etc. Sugeridas para trabalhar em sala de aula do ensino fundamental e ensino médio.

Fonte
BRASIL. Portal Domínio Público Biblioteca Digital Desenvolvida em Software Livre. Disponível em <http://www.dominiopublico.gov.br/> MINISTÉRIO DA CULTURA. Fundação Biblioteca Nacional
Departamento Nacional do Livro.

Fonte
BRASIL. Portal Domínio Público Biblioteca Digital Desenvolvida em Software Livre. MINISTÉRIO  A CULTURA. Fundação Biblioteca Nacional Departamento Nacional do Livro.



Por Blog Caderno de Educação


Compartilhe Compartilhe Compartilhe Compartilhe .
Compartilhe em suas Redes Sociais!


Sobre:
O Blog Caderno de Educação visa compartilhar conteúdo e proporcionar a troca de material e experiências com os usuários. Todas as matérias públicadas são opinativas, informativas ou sugestivas e não devem ser utilizadas em substituição a informação especializada de um profissional habilitado.

Recomendados para Você:

0 comentários:

Postar um comentário

.
Tecnologia do Blogger.

 

João 3 16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

voltar