11 Poemas de Cruz e Sousa em Broquéis

Poema Sonho Branco, de Cruz e Sousa. João da Cruz e Sousa. Seus poemas são marcados pela musicalidade (uso constante de aliterações), pelo individualismo, pelo sensualismo, às vezes pelo desespero, às vezes pelo apaziguamento, além de uma obsessão pela cor branca (Wikipedia)


Poema Sonho Branco, de Cruz e Sousa



SONHO BRANCO


 De linho e rosas brancas vais vestido,
 Sonho virgem que cantas no meu peito!...
 És do Luar o claro deus eleito,
 Das estrelas puríssimas nascido.

 Por caminho aromal, enflorescido,
 Alvo, sereno, límpido, direito,
 Segues, radiante, no esplendor perfeito,
 No perfeito esplendor indefinido...

 As aves sonorizam-te o caminho...
 E as vestes frescas, do mais puro linho
 E as rosas brancas dão-te um ar nevado...

 No entanto, Ó Sonho branco de quermesse!
 Nessa alegria em que tu vais, parece
 Que vais infantilmente amortalhado! 


Cruz e Sousa
Broquéis



Poema Canção da Formosura

Poema Canção da Formosura.  João da Cruz e Sousa (Nossa Senhora do Desterro, 24 de novembro de 1861 — Curral Novo, 19 de março de 1898) foi um poeta brasileiro. Com a alcunha de Dante Negro ou Cisne Negro, foi um dos precursores do simbolismo no Brasil.



CANÇÃO DA FORMOSURA


 Vinho de sol ideal canta e cintila
 Nos teus olhos, cintila e aos lábios desce,
 Desce a boca cheirosa e a empurpurece,
 Cintila e canta após dentre a pupila.

 Sobe, cantando, à limpidez tranqüila
 Da tu'alma estrelada e resplandece,
 Canta de novo e na doirada messe
 Do teu amor se perpetua e trila...

 Canta e te alaga e se derrama e alaga...
 Num rio de ouro, iriante, se propaga
 Na tua carne alabastrina e pura.

 Cintila e canta, na canção das cores,
 Na harmonia dos astros sonhadores,
 A Canção imortal da Formosura! 


Poema Torre de Ouro, de Cruz e Sousa. Segundo Antonio Candido, Cruz e Sousa foi o "único escritor eminente de pura raça negra na literatura brasileira, onde são numerosos os mestiços" (Wikipedia).


Poema Torre de Ouro, de Cruz e Sousa




TORRE DE OURO


 Desta torre desfraldam-se altaneiras,
 Por sóis de céus imensos broqueladas,
 Bandeiras reais, do azul das madrugadas
 E do íris flamejante das poncheiras.

 As torres de outras regiões primeiras
 No Amor, nas Glórias vãs arrebatadas,
 Não elevam mais alto, desfraldadas,
 Bravas, triunfantes, imortais bandeiras.

 São pavilhões das hostes fugitivas,
 Das guerras acres, sanguinárias, vivas,
 Da luta que os Espíritos ufana.

 Estandartes heróicos, palpitantes,
 Vendo em marcha passar aniquilantes
 As torvas catapultas do Nirvana! 


Cruz e Sousa
Broquéis




Poema Carnal e Místico


Poema Carnal e Místico. João da Cruz e Sousa no aspecto de influências do simbolismo, nota-se uma amálgama que conflui águas do satanismo de Charles Baudelaire ao espiritualismo (e dentro desse, ideias budistas e espíritas) ligados tanto a tendências estéticas vigentes como as fases na vida do autor (Wikipedia).


CARNAL E MÍSTICO



 Pelas regiões tenuíssimas da bruma
 Vagam as Virgens e as Estrelas raras...
 Como que o leve aroma das searas
 Todo o horizonte em derredor perfuma.

 Numa evaporação de branca espuma
 Vão diluindo as perspectivas claras...
 Com brilhos crus e fúlgidos de tiaras
 As Estrelas apagam-se uma a uma.

 E então, na treva, em místicas dormências,
 Desfila, com sidéreas lactescências,
 Das Virgens o sonâmbulo cortejo...

 Ó Formas vagas, nebulosidades!
 Essência das eternas virgindades!
 Ó intensas quimeras do Desejo...


Cruz e Sousa
Broquéis



Poema Encarnação, de Cruz e Sousa


Poema Encarnação, de Cruz e Sousa. Segundo o site Wikipedia No aspecto de influências do simbolismo, nota-se uma amálgama que conflui águas do satanismo de Charles Baudelaire ao espiritualismo (e dentro desse, ideias budistas e espíritas) ligados tanto a tendências estéticas vigentes como as fases na vida do autor.

ENCARNAÇÃO


 Carnais, sejam carnais tantos desejos,
 Carnais, sejam carnais tantos anseios,
 Palpitações e frêmitos e enleios,
 Das harpas da emoção tantos arpejos...

 Sonhos, que vão, por trêmulos adejos,
 À noite, ao luar, intumescer os seios
 Lácteos, de finos e azulados veios
 De virgindade, de pudor, de pejos...

 Sejam carnais todos os sonhos brumos
 De estranhos, vagos, estrelados rumos
 Onde as Visões do amor dormem geladas...

 Sonhos, palpitações, desejos e ânsias
 Formem, com claridades e fragrâncias,
 A encarnação das lívidas Amadas!

Cruz e Sousa
Broquéis



Poema Lua, de Cruz e Sousa

Poema Lua, de Cruz e Sousa. Seus poemas são marcados pela musicalidade (uso constante de aliterações), pelo individualismo, pelo sensualismo, às vezes pelo desespero, às vezes pelo apaziguamento, além de uma obsessão pela cor branca (Wikipedia)

LUA


 Clâmides frescas, de brancuras frias, 
 Finíssimas dalmáticas de neve
 Vestem as longas árvores sombrias,
 Surgindo a Lua nebulosa e leve...

 Névoas e névoas frígidas ondulam...
 Alagam lácteos e fulgentes rios
 Que na enluarada refração tremulam
 Dentre fosforescências, calafrios...

 E ondulam névoas, cetinosas rendas
 De virginais, de prônubas alvuras...
 Vagam baladas e visões e lendas
 No flórido noivado das Alturas...

 E fria, fluente, frouxa claridade
 Flutua como as brumas de um letargo...
 E erra no espaço, em toda a imensidade,
 Um sonho doente, cilicioso, amargo...

 Da vastidão dos páramos serenos,
 Das siderais abóbadas cerúleas
 Cai a luz em antífonas, em trenos,
 Em misticismos, orações e dúlias...

 E entre os marfins e as pratas diluídas
 Dos lânguidos clarões tristes e enfermos,
 Com grinaldas de roxas margaridas
 Vagam as Virgens de cismares ermos...

 Cabelos torrenciais e dolorosos
 Bóiam nas ondas dos etéreos gelos.
 E os corpos passam níveos, luminosos,
 Nas ondas do luar e dos cabelos...

 Vagam sombras gentis de mortas, vagam
 Em grandes procissões, em grandes alas,
 Dentre as auréolas, os clarões que alagam,
 Opulências de pérolas e opalas.

 E a Lua vai clorótica fulgindo
 Nos seus alperces etereais e brancos,
 A luz gelada e pálida diluindo
 Das serranias pelos largos flancos... 

 Ó Lua das magnólias e dos lírios!
 Geleira sideral entre as geleiras!
 Tens a tristeza mórbida dos círios
 E a lividez da chama das poncheiras!

 Quando ressurges, quando brilhas e amas,
 Quando de luzes a amplidão constelas,
 Com os fulgores glaciais que tu derramas
 Dás febre e frio, dás nevrose, gelas...

 A tua dor cristalizou-se outrora
 Na dor profunda mais dilacerada
 E das dores estranhas, ó Astro, agora,
 És a suprema Dor cristalizada!... 

Cruz e Sousa
Broquéis

Poema Velhas Tristezas



Poema Velhas Tristezas de João da Cruz e Sousa. É certo que encontram-se muitas referências à cor branca, assim como à transparência, à translucidez, à nebulosidade e aos brilhos, e a muitas outras cores, todas sempre presentes em seus verso (Wikipedia)

VELHAS TRISTEZAS


 Diluências de luz, velhas tristezas
 Das almas que morreram para a luta!
 Sois as sombras amadas de belezas
 Hoje mais frias do que a pedra bruta.

 Murmúrios incógnitos de gruta
 Onde o Mar canta os salmos e as rudezas
 De obscuras religiões - voz impoluta
 De todas as titânicas grandezas.

 Passai, lembrando as sensações antigas,
 Paixões que foram já dóceis amigas,
 Na luz de eternos sóis glorificadas.

 Alegrias de há tempos! E hoje e agora,
 Velhas tristezas que se vão embora
 No poente da Saudade amortalhadas!... 



Cruz e Sousa
Broquéis


Poema Tulipa Real, de Cruz e Sousa


Poema Tulipa Real, de Cruz e Sousa. Seus poemas são marcados pela musicalidade (uso constante de aliterações), pelo individualismo, pelo sensualismo, às vezes pelo desespero, às vezes pelo apaziguamento, além de uma obsessão pela cor branca (Wikipedia) 


TULIPA REAL


 Carne opulenta, majestosa, fina,
 Do sol gerada nos febris carinhos,
 Há músicas, há cânticos, há vinhos
 Na tua estranha boca sulferina.

 A forma delicada e alabastrina
 Do teu corpo de límpidos arminhos
 Tem a frescura virginal dos linhos
 E da neve polar e cristalina.

 Deslumbramento de luxúria e gozo,
 Vem dessa carne o travo aciduloso
 De um fruto aberto aos tropicais mormaços.

 Teu coração lembra a orgia dos triclínios...
 E os reis dormem bizarros e sanguíneos
 Na seda branca e pulcra dos teus braços. 


Cruz e Sousa


Poema Vesperal, de Cruz e Sousa

Broquéis
Poema Vesperal, de Cruz e Sousa. Seus poemas são marcados pela musicalidade (uso constante de aliterações), pelo individualismo, pelo sensualismo, às vezes pelo desespero, às vezes pelo apaziguamento, além de uma obsessão pela cor branca (Wikipedia)

VESPERAL


 Tardes de ouro para harpas dedilhadas
 Por sacras solenidades
 De catedrais em pompa, iluminadas
 Com rituais majestades.

 Tardes para quebrantos e surdinas
 E salmos virgens e cantos
 De vozes celestiais, de vozes finas
 De surdinas e quebrantos...

 Quando através de altas vidraçarias
 De estilos góticos, graves,
 O sol, no poente, abre tapeçarias,
 Resplandecendo nas naves...

 Tardes augustas, bíblicas, serenas,
 Com silêncio de ascetérios
 E aromas leves, castos, de açucenas
 Nos claros ares sidéreos...

 Tardes de campos repousados, quietos,
 Nos longes emocionantes... 
 De rebanhos saudosos, de secretos
 Desejos vagos, errantes...

 Ó Tardes de Beethoven, de sonatas,
 De um sentimento aéreo e velho...
 Tardes da antiga limpidez das pratas,
 De Epístolas do Evangelho!... 

Cruz e Sousa
Broquéis


Poema Noiva da Agonia, de Cruz e Sousa. João da Cruz e Sousa (Nossa Senhora do Desterro, 24 de novembro de 1861 — Curral Novo, 19 de março de 1898) foi um poeta brasileiro. Com a alcunha de Dante Negro ou Cisne Negro, foi um dos precursores do simbolismo no Brasil.
Poema Noiva da Agonia, de Cruz e Sousa.



Leia também: LÚCIA, de Machado de Assis

NOIVA DA AGONIA


 Trêmula e só, de um túmulo surgindo,
 Aparição dos ermos desolados,
 Trazes na face os frios tons magoados
 De quem anda por túmulos dormindo...

 A alta cabeça no esplendor, cingindo
 Cabelos de reflexos irisados,
 Por entre auréolas de clarões prateados,
 Lembras o aspecto de um luar diluindo...

 Não és, no entanto, a torva Morte horrenda,
 Atra, sinistra, gélida, tremenda,
 Que as avalanches da Ilusão governa...

 Mas ah! és da Agonia a Noiva triste
 Que os longos braços lívidos abriste
 Para abraçar-me para a Vida eterna! 


Cruz e Sousa


Broquéis



Múmia, de Cruz e Sousa. João da Cruz e Sousa (Nossa Senhora do Desterro, 24 de novembro de 1861 — Curral Novo, 19 de março de 1898) foi um poeta brasileiro. Com a alcunha de Dante Negro ou Cisne Negro, foi um dos precursores do simbolismo no Brasil. (Wikipedia)

Múmia, de Cruz e Sousa


Leia também: LÚCIA, de Machado de Assis

MÚMIA


 Múmia de sangue e lama e terra e treva,
 Podridão feita deusa de granito,
 Que surges dos mistérios do Infinito
 Amamentada na lascívia de Eva.

 Tua boca voraz se farta e ceva
 Na carne e espalhas o terror maldito,
 O grito humano, o doloroso grito
 Que um vento estranho para os limbos leva.

 Báratros, criptas, dédalos atrozes
 Escancaram-se aos tétricos, ferozes
 Uivos tremendos com luxúria e cio...

 Ris a punhais de frígidos sarcasmos
 E deve dar congélidos espasmos
 O teu beijo de pedra horrendo e frio!... 

Cruz e Sousa
Broquéis







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